Hello World: Wander Douglas

Hello World: Wander Douglas

Carreira

Se você der uma olhada rápida no meu perfil, provavelmente vai encontrar um monte de termos técnicos que parecem impressionantes à primeira vista: backend, microserviços, Docker, Clean Architecture…

Na real, começou meio torto.

Eu me formei em Sistemas para Internet no UNI-BH sem ter aquela certeza romântica de “é isso que quero fazer pro resto da vida”. Eu só sabia de uma coisa: eu gostava de resolver problema. E programação era basicamente isso: um monte de problema mal definido que ninguém queria pegar.

Meu primeiro contato profissional foi com sistema de saúde, mexendo com C# e ASP.NET. Nada glamouroso. Código legado, regra de negócio confusa, pressão. Foi ali que eu entendi uma verdade que muita gente evita: faculdade não te prepara de verdade. Você aprende quando o sistema quebra e tem gente esperando você consertar.

Depois disso, mergulhei no PHP (e sim, PHP). Muita gente torce o nariz, mas foi onde eu construí minha base de verdade. Passei anos fazendo de tudo: backend, frontend com jQuery, integração com ERP, gateway de pagamento, suporte… aquele combo completo que te obriga a parar de reclamar e aprender.

Teve uma fase importante: e-commerce.

Ali eu deixei de ser só “o cara que codifica” e comecei a lidar com impacto real. SEO, performance, cliente reclamando, pedido não processado… você começa a entender que código bonito não paga boleto: sistema funcionando paga.

E aí veio um passo que pouca gente fala sobre o peso: liderar.

Virei gerente de sistemas. E vou ser direto: não é upgrade automático, é outro jogo. Você para de resolver problema técnico direto e começa a resolver problema de gente, processo e expectativa. E, sinceramente, se você não tomar cuidado, você vira só um apagador de incêndio com salário melhor.

Depois disso, eu fiz um movimento que muita gente acha estranho: voltei mais pro técnico.

Fui trabalhar com alto volume, APIs, crawler, migração pra GraphQL… comecei a entrar mais fundo em arquitetura, performance, observabilidade. Go entrou na minha vida aqui, não por hype, mas porque fazia sentido.

E aí você começa a ver outro problema: saber ferramenta não te faz bom engenheiro.

Foi quando eu comecei a levar a sério coisas que antes pareciam “teoria demais”: SOLID, DDD, testes automatizados, CI/CD… não como checklist de senioridade, mas como necessidade pra não criar bomba-relógio.

Hoje, trabalhando como backend engineer, eu passo boa parte do tempo fazendo coisas que pouca gente posta no LinkedIn:

  • discutindo trade-off
  • dizendo “não” pra solução rápida mal feita
  • ajudando time a não cavar buraco técnico
  • e entre outros

E sim, eu ainda escrevo código. Mas talvez menos do que você imagina.

Uma coisa que ficou clara ao longo desses mais de 10 anos: crescer na área não é sobre aprender mais tecnologia. Isso é o básico.

O difícil mesmo é:

  • lidar com ambiguidade
  • tomar decisão incompleta
  • assumir responsabilidade quando dá errado
  • ajudar outros devs sem virar gargalo

Eu gosto de estudar tecnologia nova? Gosto. Mas se você acha que isso sozinho te leva longe, você tá ignorando metade do jogo.

Hoje eu continuo trabalhando com PHP, Go, Laravel, Docker, mensageria… mas isso é só ferramenta.

O que realmente me define é outra coisa: eu tento construir sistemas que não vão ferrar o próximo dev que tocar neles.

Nem sempre consigo.

Mas esse é o jogo.